segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sobre meu percurso

 Ao longo da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, percebi que meu principal aprendizado foi compreender que as tecnologias digitais não são apenas ferramentas que auxiliam o processo educativo, mas fenômenos sociais, culturais e políticos que transformam a forma como produzimos conhecimento, ensinamos e aprendemos. As discussões sobre cultura digital, plataformização, inteligência coletiva, dataficação e ética ampliaram meu olhar e me fizeram refletir sobre a necessidade de uma atuação docente mais crítica e consciente diante das transformações tecnológicas. Esses pontos específicos me auxiliaram a refletir diretamente em questões que estavam abertas no desenvolvimento da minha tese.


Ao olhar para o meu próprio percurso, avalio que participei de maneira bastante envolvida das atividades propostas, apesar que passei a ter dificuldade no terço final da disciplina, o que reconheço que foi um problema. Os PBLs e as produções nocportfólio permitiram que eu articulasse minha experiência profissional, minha atuação como pesquisador e as questões do doutorado.


A produção dos podcasts acadêmicos, que foi utilizado por mim como recurso no PBL e que foi avaliado ao longo do desenvolvimento do artigo, mostrou como diferentes linguagens podem potencializar a construção coletiva do conhecimento e, ao mesmo tempo, servir como objeto de investigação científica. Se pudesse fazer algo diferente, talvez tivesse aproveitado ainda mais os espaços de diálogo entre os colegas, explorando outras perspectivas e experiências, principalmente no final.


A metodologia da disciplina foi, para mim, um dos seus maiores acertos, e particularmente eu nem conhecia. O uso da Problem-Based Learning deslocou o estudante de uma posição passiva para uma postura investigativa, exigindo autonomia, pesquisa e reflexão constante. O portfólio também se mostrou uma estratégia interessante por registrar não apenas produtos finais, mas o próprio processo de aprendizagem. Como possibilidade de aprimoramento, acredito que alguns momentos de socialização coletiva das produções poderiam ser ampliados, fortalecendo ainda mais as trocas entre os participantes.


Sobre a atuação do professor, considero que a mediação foi coerente com a proposta metodológica da disciplina. Houve incentivo à autonomia, abertura para o diálogo e respeito às diferentes formas de construir conhecimento. Mais do que oferecer respostas prontas, a condução das atividades estimulou perguntas e inquietações, o que considero fundamental em um processo formativo em nível de pós-graduação. A disponibilidade para ouvir os estudantes e a valorização do percurso individual também foram aspectos importantes para o desenvolvimento da disciplina.


Saio deste semestre animado com o resultado final por poder pensar na utilização das tecnologias digitais de forma crítica, ética e socialmente comprometida. Passei a não me interessar uma perspectiva tecnicista ou determinista das tecnologias, umas uma prática pedagógica que reconheça seus limites, suas contradições e suas potencialidades. Penso que quero contribuir para uma educação em que as tecnologias sejam instrumentos de autoria, colaboração e emancipação, sempre mediadas pelo olhar humano e pelo compromisso com a formação integral dos estudantes.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Tecnologias Digitais e Formação Docente

 A presença das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) na educação tem ocupado um espaço cada vez maior nas políticas públicas e nos debates sobre formação docente. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores (CNE/CP nº 4/2024) defendem que os cursos de licenciatura devem promover o desenvolvimento de competências digitais, do pensamento crítico e da inovação pedagógica, estimulando o uso das tecnologias como parte do processo de ensino e aprendizagem (BRASIL, 2024). Da mesma forma, estudos sobre formação docente apontam que as tecnologias não podem ser compreendidas apenas como ferramentas, mas como elementos da cultura digital que influenciam a forma como as pessoas produzem conhecimento, se comunicam e exercem a cidadania (CUSTÓDIO; RODRIGUES, 2023).

Entretanto, existe uma contradição entre o que as políticas propõem e a realidade vivenciada pelos professores em formação. Embora os documentos oficiais enfatizem a necessidade de uma atuação crítica e inovadora, muitos cursos ainda privilegiam o aprendizado técnico das ferramentas, sem aprofundar discussões sobre ética, cidadania digital e mediação pedagógica. Além disso, a falta de infraestrutura, de experiências práticas e de programas contínuos de desenvolvimento profissional dificulta a transformação efetiva das práticas docentes (O'BRIEN, 2025).

Nesse contexto, promover um uso crítico, mediado e inovador das tecnologias exige mudanças na formação inicial e continuada dos professores, aproximando teoria e prática e valorizando metodologias ativas e colaborativas. Também é necessário que as políticas educacionais garantam melhores condições de trabalho, infraestrutura tecnológica e apoio institucional, para que as TDIC deixem de ser apenas recursos complementares e se tornem instrumentos de reflexão, criação e transformação social.

Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024. Brasília, 2024.

CUSTÓDIO, Nathália Meloni; RODRIGUES, Alessandra. Tecnologias e formação inicial docente: o papel do professor formador na construção do pensamento crítico e da cidadania digital. Contexto & Educação, 2023.

O'BRIEN, Emma. Professional learning to support digital transformation and change in education: an integrated, systematic literature review. Journal of e-Learning and Knowledge Society, 2025.

Sobre meu percurso

  Ao longo da disciplina  Tecnologias Digitais no Ensino , percebi que meu principal aprendizado foi compreender que as tecnologias digitais...